Jovens Egressos do Acolhimento e Evasão Escolar

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Jovens Egressos do Acolhimento e Evasão Escolar

Por que metade dos jovens sob cuidados do Estado não conclui o ensino médio no Canadá?

Porque o sistema de acolhimento, segundo dados analisados pelo Senado canadense, não tem conseguido sustentar a trajetória escolar desses adolescentes até o fim. Na Nova Escócia, metade dos jovens que estão ou estiveram sob cuidados do Estado não termina o ensino médio, e uma fração ainda menor chega a concluir algum curso pós-secundário. A informação é da CBC News, veículo público canadense, e reflete uma realidade específica daquele país — não do Brasil.

O que está sendo discutido no Canadá

Interna 1

O Senado canadense passou a analisar com mais atenção o que acontece com jovens que saem do sistema de proteção ao atingir a maioridade. Na Nova Escócia, uma das províncias do país, os números chamaram atenção: metade dos adolescentes acolhidos pelo Estado não termina o ensino médio.

A proporção que avança para a educação pós-secundária é ainda menor. Isso significa que, para boa parte desses jovens, a saída do sistema de acolhimento coincide com uma interrupção precoce da trajetória escolar — justamente no momento em que mais precisariam de estrutura para seguir estudando ou ingressar no mercado de trabalho.

A CBC News não detalha, no material disponível, as causas específicas apontadas pelo Senado para esse cenário. Mas o fato isolado já levanta uma pergunta que interessa a qualquer sistema de proteção à infância e juventude: o que acontece com o adolescente depois que o Estado deixa de ser responsável por ele?

O momento da saída é o ponto mais frágil

Interna 2

Quem trabalha com Direito de Família sabe que a fase de transição para a vida adulta é sensível em qualquer sistema de acolhimento, não só no canadense.

O jovem que cresceu sob guarda institucional ou familiar substituta costuma ter uma rede de apoio mais frágil do que a de quem cresceu com a família de origem. Quando a tutela estatal termina, a pessoa precisa, muitas vezes, se virar sozinha com moradia, estudo e renda ao mesmo tempo.

Os dados da Nova Escócia mostram isso de forma concreta: a evasão escolar aparece como um dos efeitos mais visíveis dessa fragilidade, não como causa isolada.

Como o Brasil trata essa fase de transição

Interna 3

O Direito brasileiro tem instrumentos para tentar evitar esse tipo de desamparo, embora os desafios de execução prática sejam reais e frequentemente discutidos.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) prevê, no artigo 92, que os programas de acolhimento institucional e familiar devem preparar o adolescente gradualmente para o desligamento, incluindo apoio e acompanhamento depois dos 18 anos, quando necessário.

Há também o conceito de acolhimento até os 21 anos em situações específicas, quando o jovem ainda está em processo de formação educacional ou profissional e precisa de suporte para concluir estudos.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mantém diretrizes sobre acompanhamento de egressos do acolhimento, reconhecendo que a saída abrupta do sistema é um ponto de risco para evasão escolar, vulnerabilidade social e perda de vínculos construídos durante o período de proteção.

Isso não significa que o sistema brasileiro resolva integralmente o problema identificado no Canadá. Significa que existe previsão legal voltada exatamente para esse momento de transição — e que a efetividade dela depende de como cada comarca, cada Vara da Infância e Juventude e cada serviço de acolhimento conduz o desligamento do adolescente.

Erros que agravam a desproteção na saída do acolhimento

Alguns problemas se repetem, independentemente do país, quando o desligamento do jovem acolhido não é bem planejado:

– Encerrar o acolhimento sem plano de autonomia estruturado, deixando o jovem sem moradia ou renda definidas.
– Não dar continuidade ao acompanhamento escolar justamente na fase de transição entre o ensino médio e uma possível formação técnica ou superior.
– Desconsiderar o impacto emocional da ruptura de vínculos institucionais construídos ao longo de anos de acolhimento.
– Tratar o aniversário de 18 anos como um corte abrupto, em vez de um processo gradual de preparação para a vida independente.

O que fazer diante de uma situação de transição mal planejada

Se você é responsável por um adolescente em acolhimento, trabalha com guarda ou tutela, ou enfrenta dúvidas sobre os direitos de um jovem próximo de completar a maioridade no sistema de proteção brasileiro, o caminho correto é buscar orientação jurídica específica.

Cada caso envolve particularidades — histórico familiar, situação escolar, rede de apoio disponível — que somente a análise de um advogado especializado em Direito de Família e infância pode esclarecer com segurança.

Cada caso tem particularidades que podem mudar o resultado. Fale agora com o Dr. Marcos Duarte.

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Perguntas frequentes

Principais dúvidas sobre o tema

O caso da Nova Escócia tem relação direta com o sistema brasileiro de acolhimento?⌄

Não. A reportagem trata de dados específicos do Canadá, analisados pelo Senado daquele país. O Brasil tem legislação própria sobre acolhimento e desligamento de jovens, com regras diferentes das canadenses.

O que a lei brasileira prevê para jovens que saem do acolhimento ao completar 18 anos?⌄

O Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo 92, prevê preparação gradual para o desligamento e possibilidade de acompanhamento até os 21 anos em casos específicos, conforme necessidade educacional ou profissional do jovem.

Por que a evasão escolar é mais comum entre jovens acolhidos, segundo o caso relatado?⌄

O material da CBC News não detalha causas específicas, mas aponta que a transição para a vida adulta, sem rede de apoio consolidada, coincide com interrupção da trajetória escolar na Nova Escócia.

O CNJ tem alguma diretriz sobre acompanhamento de jovens egressos do acolhimento no Brasil?⌄

Sim. O Conselho Nacional de Justiça mantém orientações voltadas ao acompanhamento de egressos, reconhecendo a saída do sistema como momento de maior vulnerabilidade social e educacional.

Quem deve buscar orientação jurídica em casos de desligamento do acolhimento institucional?⌄

Famílias, responsáveis legais, acolhedores e os próprios jovens que enfrentam dúvidas sobre direitos na transição para a maioridade devem consultar advogado especializado em Direito de Família, já que cada situação exige análise individual.

Dr. Marcos Duarte — Advogado especialista em Direito de Família. OAB/CE 15.358. Fundador e ex-presidente do IBDFAM-CE. Fortaleza, CE.

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Dr. Marcos Duarte

Advogado · OAB/CE 15.358 · Especialista em Direito de Família e Sucessões

Fundador do Leis&Letras IA e da Revista Leis&Letras. Fundador e Ex Presidente do IBDFAM CE. Atua há mais de 24 anos em Direito de Família, Divórcio, Guarda e Inventários em Fortaleza/CE.

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Advogado Especializado em Direito de Família, Direito das Sucessões, Direito da Criança e Adolescente, Jornalista e Pós Graduado em Ecologia. Doutor em Ciências Jurídicas. Autor e Professor de Direito de Família e Sucessões e Processo Civil.

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