Plano de Saúde Deve Pagar Remédio de Alto Custo?
Plano de saúde tem que pagar remédio muito caro para criança com câncer raro?
Em casos graves e com indicação médica, a Justiça pode obrigar o plano a custear medicamento de alto custo para garantir o tratamento da criança, mesmo quando o valor é extremamente elevado. Foi o que aconteceu com um bebê de 1 ano e meio diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda de altíssimo risco biológico. O juiz Luiz Fernando Cardoso Dal Poz, do Núcleo 4.0 em Segundo Grau do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou que o plano de saúde forneça um remédio que custa R$ 5 milhões.
O que aconteceu no caso do bebê com leucemia

A criança tem menos de dois anos e recebeu o diagnóstico de um tipo raro e agressivo de câncer no sangue.
O tratamento indicado pelos médicos exige um medicamento de altíssimo custo, fora do alcance de qualquer família comum.
O plano de saúde resistiu a fornecer o remédio. A família recorreu à Justiça, e a decisão saiu favorável ao paciente.
O valor de R$ 5 milhões chama atenção, mas não é o centro da decisão. O que pesou foi a gravidade do quadro e a urgência médica.
Por que a Justiça pode obrigar o plano a pagar

Quando existe prescrição médica clara e o quadro é grave, os juízes costumam entender que negar o tratamento coloca a vida do paciente em risco.
Isso vale especialmente para crianças, que dependem totalmente da família e do sistema de saúde para sobreviver a diagnósticos como esse.
A lógica é simples: se o médico que acompanha a criança diz que aquele remédio é necessário, cabe ao plano provar o contrário com base técnica sólida — não apenas negar por custo.
Vale reforçar: essa foi uma decisão individual, de um caso concreto julgado em segunda instância em São Paulo. Não é uma tese fixada por tribunal superior nem uma mudança geral nas regras dos planos de saúde.
Cada caso é analisado separadamente, com base nos documentos médicos apresentados e na urgência demonstrada.
O que costuma pesar a favor da família

Nos processos desse tipo, alguns pontos aparecem com frequência nas decisões judiciais.
Relatório médico detalhado. Quanto mais claro o médico for sobre a necessidade do medicamento e os riscos de não usá-lo, mais forte fica o pedido.
Urgência comprovada. Câncer, especialmente em crianças pequenas, costuma justificar decisões rápidas, muitas vezes em caráter de liminar.
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Ausência de alternativa eficaz. Se não existe outro tratamento disponível pelo plano com a mesma eficácia, o argumento da família ganha peso.
Vínculo contratual ativo. O plano precisa estar em dia e cobrir esse tipo de tratamento pelo contrato, ainda que o medicamento específico não conste em lista.
Erros que famílias cometem ao lidar com a negativa do plano
Um erro comum é aceitar a primeira negativa sem pedir a justificativa por escrito. O plano é obrigado a explicar por que está recusando o tratamento.
Outro erro é demorar para buscar orientação jurídica. Em quadros de câncer, cada semana de atraso pode agravar o prognóstico da criança.
Também vejo famílias tentando resolver tudo sozinhas, sem reunir os documentos médicos corretos. Relatório do oncologista, exames e histórico do tratamento são essenciais para qualquer pedido judicial.
Por fim, algumas pessoas desistem por acharem que “processo contra plano de saúde demora anos”. Em casos urgentes, existem instrumentos para pedir decisão rápida, já que a vida do paciente está em jogo.
O papel do médico e da urgência no processo
O relatório médico é a peça mais importante desse tipo de ação. Ele precisa explicar o diagnóstico, o motivo pelo qual aquele medicamento específico foi escolhido e o que acontece se o tratamento não começar logo.
Quando a urgência é real e bem documentada, a Justiça tende a decidir rápido, muitas vezes antes mesmo de o processo principal ser julgado.
Isso não significa que toda negativa de plano será revertida. Significa que, havendo prova médica consistente da gravidade e da necessidade, existe caminho jurídico para buscar o tratamento.
O que fazer se o plano negar o medicamento do seu filho
Se você está passando por uma negativa parecida, o primeiro passo é pedir a recusa por escrito, com justificativa detalhada do plano.
Reúna todos os relatórios médicos, exames e prescrições relacionados ao tratamento indicado.
Cada situação tem particularidades — tipo de contrato, gravidade do diagnóstico, histórico de atendimento — que só um advogado pode avaliar com precisão para indicar o caminho mais adequado ao seu caso.
Dr. Marcos Duarte
Advogado · OAB/CE 15.358 · Especialista em Direito de Família e Sucessões
Fundador do Leis&Letras IA e da Revista Leis&Letras. Fundador e Ex Presidente do IBDFAM CE. Atua há mais de 24 anos em Direito de Família, Divórcio, Guarda e Inventários em Fortaleza/CE.





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